«O casamento de Heleno de Freitas [com Ilma Miranda Corrêa Lisboa] mexeu com a cidade. (…) Mais romântico, o poeta Vinicius de Moraes, botafoguense e amigo de Mauro de Freitas, não dedicou ao noivo, mas à mulher dele, o Poema dos olhos da amada. Que virou seresta na voz de Sílvio Caldas.»



(Nunca houve um homem como Heleno, Marcos Eduardo Neves, Zahar, 2012)




§671 · May 30, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , , ,


nenem_prancha

«Jogador de futebol, tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar.»

«Jogue a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol.»

«O Didi joga bola como quem chupa laranja, com muito carinho.»

«O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas.»

«Penalty é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube.»

«Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida.»

«O importante é o principal, o resto é secundário.»

«Se macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava sempre empatado.»

«Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe.»

«Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende.»

«Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades.»

«No futebol, o terceiro pé é a cabeça.»

«Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama.»



Pouco importa se foram mesmo assim proferidas, ou se são todas da autoria de Neném Prancha. O importante mesmo é a várzea, o terreiro, o boteco, a areia, o alambrado, de onde elas saíram. São mais alguns exemplos de que AQUI é o país do futebol.

§660 · May 21, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , ,


abacate

Ontem ao ver o jogo entre a Ponte Preta e o Vila Nova, em streaming, transmissão da Premiere TV em silêncio, com o notável relato da Rádio Macacada Reunida rodando por cima das imagens em movimento, a dada altura, um dos comentadores atirou para o ar a seguinte frase: «Os jogadores da Ponte estão trocando passes no caroço do abacate…».

O tempo parou ali por um instante. Enquanto as palavras encaixavam mentalmente na ideia que tenho do centro do terreno, as imagens na tela do computador comprovavam a verdade de umas e de outra.

Que delírio! Que coisa mais linda.

O caroço do abacate. O meio do campo. O caroço do campo. O meio do abacate. Os jogadores correm e trocam passes no gramado que, após um exercício único, já nada mais é que polpa. Só aqui.

Claro, veio-me imediatamente à cabeça a polémica afirmação de que o Brasil é o país do futebol (e não consigo sequer pensar/dizer/escrever estas palavras sem o som de Wilson Simonal saltar de imediato…*) e, acima de tudo, me pareceu evidente que, ok, o Brasil seria sempre o país do futebol nem que fosse pela linguagem. Aqui no país do futebol os seus habitantes tratam a língua como certos jogadores tratam a redondinha. Com um carinho e uma especial devoção a que poucos se atrevem. É verdade que aqui, no país da iliteracia, tem muita gente pontapeando as letras e a gramática como ninguém, mas não deixa de ser verdade que aqui, na terra onde Garrincha se levantou um dia, tem muita gente tornando as palavras algo de muito solto, vivo e único. Aqui.




* Não deixa der ser interessante que na música do Wilson Simonal não aparece “Brasil”, mas antes “aqui”, “Aqui é o país do futebol”… Lá está, aqui. Aqui, enfim, onde tudo é possível.

§639 · May 21, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,


1. No Brasil o torcedor assiste aos jogo de pé. Sentar, só no intervalo. Notável. O meu joelho depois queixa-se, mas notável.

2. A TJP (Torcida Jovem Ponte) é gente fina.

3. O torcedor é louco, pede falta, grita ao seu jogador para partir a perna do adversário, xinga o adversário (e o árbitro, claro está) como ninguém. A violência no discurso é uma constante. O jogo acaba por refletir o pulsar das bancadas. Lamentavelmente, acrescento eu.

4. A estranheza/desconforto de vestir uma camiseta de outro clube que não o Benfica. Foi imediata a sensação, ali no parque onde deixáramos o carro. Os nossos bilhetes tinham desconto para quem levasse camiseta (achamos nós então) e a peça de vestuário é mandatória para quem quer assistir ao jogo no meio da Torcida (soube mais tarde). Lá fui. O desconforto foi dando lugar ao natural. Ao certo.

5. No dia seguinte, ligeira rouquidão. ;)

6. Aliás, não fui o único. Leo, o meu comparsa, corinthiano inquestionável, também gritou (timidamente, mas gritou) os cânticos da torcida pontepretana. Coisa louca aqui no Brasil. Alguém acredita que alguma vez eu iria no estádio José de Alvalade (frente ao Rio Ave, por exemplo), com uma camisa do Sporting e cantaria seja lá o que eles cantam por lá? Pois… Aqui, isso rola. É verdade que o Corinthians e a Ponte Preta tem laços de afinidade, mas ainda assim…

7. O estádio é, isso mesmo, Majestoso.

8. #ESOBEPONTE


§624 · May 10, 2014 · Uncategorized · (No comments) ·


PANO_20140418_215139aaaaa

Com a avassaladora alegria promovida pelo enorme e gigantesco (acrescentar adjetivos à vontade) Benfica, resultando em semanas de intensa atividade e celebração, no meio de semelhante turbilhão de emoções, dou-me conta de que me esqueci de registar esse momento único que foi o meu batismo no Majestoso, o Estádio Moisés Lucarelli, casa da Associação Atlética Ponte Preta.
A primeira vez num estádio é sempre de relembrar. Nessa noite (18-04), a Ponte Preta recebia o Icasa, na primeira rodada da Série B. Sim, da Série B. A estreia de um torcedor por um time que pena na Série B e que luta por voltar à Série A também é de relembrar. Foi uma dupla estreia. Foi uma noite agradável, num jogo um pouco menos que mediano. Um empate a 1.




(um grande Obrigado ao meu amigo Leo que, finalmente, desbloqueou um processo com mais de 1 ano. Temos de repetir a dose, caro Leo.)

§616 · May 10, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,