Soccer - World Cup England 1966


Depois, a somar, é inevitável, vem esta fotografia. E tudo o que ela, sem querer, certamente, representa. Anos de chumbo. Tudo a preto e branco. Até (sacrilégio!) as cores berrantes do Glorioso. Sujeição. Submissão. Antropometria dos costumes. Exposição do Mundo Português. “Fado”. Portugal no seu pior. Porque Eusébio foi esse Portugal. Porque Eusébio foi o que esse Portugal deixou que Eusébio fosse. Isso é terrível. Como terrível é persistir essa memória de um Portugal-Benfica que tudo ganhava, singelamente, na miséria de quem se basta. Terrível mesmo, pelo menos para este sócio, essa simbiose de Portugal com o Benfica. Porque, como qualquer sócio bem sabe, o Benfica é maior que Portugal. E é (deveria ser) o Benfica quem sofre hoje, com a sua perda. Mas hoje, e nos próximos dias, com a sua morte, a avalanche de reportagens, de choros, de diretos, o Cavaco já falou?, de memórias várias, é esse Portugal que vão desenterrar. Não será do Benfica que se vai falar (e logo no funeral d’O jogador benfiquista!), mas antes desse passado que persiste. Não será o Benfica sequer (mas como, com esta direção…; basta olhar para os primeiros comunicados já emitidos pelo clube) quem resgatará essa glória vermelha. Que morra mil vezes Eusébio, se com isso morresse esse Portugal. Não será assim. Eusébio, morreste em vão. Ficará, como sempre, mais não conseguimos, a memória. Triste.


Update: até o Esteves Cardoso considera a tua morte uma tragédia. O Portugal do balofo não é, decididamente, o meu. Pode ter sido o teu, caro Eusébio, mas, graças a Deus, não é o meu.

§544 · January 5, 2014 · Uncategorized · Tags: , , , , · [Print]

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