Movimentos de protesto como os atuais, sem liderança, sem programa, sem bandeira, são como o mar na praia, cheios de ondas, de vai e vem, de movimentos dentro do movimento, e todos lá cabem, e todos lá se banham. Tem sempre o primeiro dia. Tem sempre o momento em que a mídia, sem saber bem o que fazer, balanceia o discurso de um lado para o outro. Tem sempre o dia em que a Polícia carrega selvaticamente. Tem sempre o dia em que o político (já sem resposta imediata) descansa o aparato policial. Tem sempre o dia dos que se estreiam, que perdem a virgindade da rua. Tem sempre o dia em que todos pensam ter ganho algo. Tem sempre o dia do recuo (quando os políticos sentem medo; aqui foi o recuo nos 20 centavos). E tem sempre o dia de hoje. O dia dos extremistas. Dos nacionalistas. Hoje gritou-se não às bandeiras e aos partidos. Hoje circulam textos sobre infiltrados. Sobre conspirações de direita (que digo, de ultra-direita) para derrubar o Governo Dilma. O dia em que o fogo arde mais do que o devido e a Polícia descansa ainda. Até pode ser que este tenha sido um dia António das Mortes. Mas amanhã é outro dia. As ondas não param.


Eu prefiro referir-me a este dia como um dia histórico. Foi mais um dia de protesto, o primeiro imediato ao recuo nas tarifas. Foi o dia em que ficou claro que não era mesmo por 20 centavos. É o dia em que ninguém pode mais dizer que não percebe o que se quer. Como diz o coronel decrépito, a culpa de tudo isto é da bomba atómica. E a bomba atómica é o povo brasileiro. Salve.

§157 · June 20, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,