nenem_prancha

«Jogador de futebol, tem que ir na bola com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar.»

«Jogue a bola pra cima, pois enquanto ela estiver no alto não há perigo de gol.»

«O Didi joga bola como quem chupa laranja, com muito carinho.»

«O goleiro deve andar sempre com a bola, mesmo quando vai dormir. Se tiver mulher, dorme abraçado com as duas.»

«Penalty é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube.»

«Se concentração ganhasse jogo, o time do presídio não perdia uma partida.»

«O importante é o principal, o resto é secundário.»

«Se macumba resolvesse, o campeonato baiano terminava sempre empatado.»

«Quem pede tem preferência, quem se desloca recebe.»

«Futebol é muito simples: quem tem a bola ataca; quem não tem defende.»

«Jogador bom é que nem sorveteria: tem várias qualidades.»

«No futebol, o terceiro pé é a cabeça.»

«Bola tem que ser rasteira, porque o couro vem da vaca e a vaca gosta de grama.»



Pouco importa se foram mesmo assim proferidas, ou se são todas da autoria de Neném Prancha. O importante mesmo é a várzea, o terreiro, o boteco, a areia, o alambrado, de onde elas saíram. São mais alguns exemplos de que AQUI é o país do futebol.

§660 · May 21, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , ,


abacate

Ontem ao ver o jogo entre a Ponte Preta e o Vila Nova, em streaming, transmissão da Premiere TV em silêncio, com o notável relato da Rádio Macacada Reunida rodando por cima das imagens em movimento, a dada altura, um dos comentadores atirou para o ar a seguinte frase: «Os jogadores da Ponte estão trocando passes no caroço do abacate…».

O tempo parou ali por um instante. Enquanto as palavras encaixavam mentalmente na ideia que tenho do centro do terreno, as imagens na tela do computador comprovavam a verdade de umas e de outra.

Que delírio! Que coisa mais linda.

O caroço do abacate. O meio do campo. O caroço do campo. O meio do abacate. Os jogadores correm e trocam passes no gramado que, após um exercício único, já nada mais é que polpa. Só aqui.

Claro, veio-me imediatamente à cabeça a polémica afirmação de que o Brasil é o país do futebol (e não consigo sequer pensar/dizer/escrever estas palavras sem o som de Wilson Simonal saltar de imediato…*) e, acima de tudo, me pareceu evidente que, ok, o Brasil seria sempre o país do futebol nem que fosse pela linguagem. Aqui no país do futebol os seus habitantes tratam a língua como certos jogadores tratam a redondinha. Com um carinho e uma especial devoção a que poucos se atrevem. É verdade que aqui, no país da iliteracia, tem muita gente pontapeando as letras e a gramática como ninguém, mas não deixa de ser verdade que aqui, na terra onde Garrincha se levantou um dia, tem muita gente tornando as palavras algo de muito solto, vivo e único. Aqui.




* Não deixa der ser interessante que na música do Wilson Simonal não aparece “Brasil”, mas antes “aqui”, “Aqui é o país do futebol”… Lá está, aqui. Aqui, enfim, onde tudo é possível.

§639 · May 21, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,


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§484 · November 26, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , , ,