No início eram todos baderneiros. Ponto. Depois a mídia acordou (quer dizer, levou com umas bombas moralizadoras em cima, foi o que foi) e mudou o discurso. Coisa fantástica, certo? Veja-se, até Arnaldo Jabor se retraiu… Tudo parecia então encaminhar-se no bom sentido. Mas não. Agora estagnamos nesta fórmula. Que não é nova, nem vale nada, diga-se. O discurso agora diz-nos que os-protestos-seguiram-pacíficos-o-povo-esteve-sempre-civilizado-cantando-protestando-até-que… E, aí, surgem os vândalos. O fogo, a porrada, e os saques. E aí se cristaliza a narrativa. Serve a todos. Servirá?

E que tal pararmos com esse papo dos vândalos? As manifestações são, regra geral, pacíficas. São. E, ainda assim, sempre surge aquele momento em que há fogo, porrada, quebra quebra e baderna. Sim. E daí? Valerá menos que a pacífica? Não. São tudo expressões do mesmo problema. Em última análise, no fim das contas, mesmo sem sabermos ainda que contas são essas, é precisamente contra isso que o povo se manifesta, contra esse status quo que aceita, perpetuando assim, uma população empobrecida (a vários níveis). Estes cidadãos que violentam os protestos pacíficos não surgem com o cair da noite, não, eles já lá estavam, eles são Brasil. Custa-me assistir, no final do dia, à contagem e ao chorar da propriedade (privada ou pública) depredada. Porque, sejamos honestos, nunca uma agência bancária deveria valer mais que o quotidiano de uma população empobrecida. Mas é a imagem do caixa automático quebrado que circula, que veicula a mensagem final. O que valem esses edifícios depredados quando comparados à humilhação diária de grande parte da população? Que se lixe o prédio centenário! As pichações gratuitas de final de festa são o dia-a-dia de muita gente, por esse país fora. Nos ônibus, nas padarias, nas fábricas, nas casas das patroas. Pichação moral, social, emocional. Nessa altura ninguém fala em vândalos. Pois quem seria então o vândalo, não é mesmo?

Está na altura da inclusão. A rua é de todos (PMs incluídos, viu?). O Brasil é de todos. Deixemos os Vândalos repousar nos livros de História.

§82 · June 19, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , ,