Alphaville
Voltando ao SEM-VI-O-LÊN-CIA-! do post anterior, pergunto-me quanto da sua força ecoará nestas ruas assépticas? Como parto do princípio (porventura errado, posso admitir) de que as ruas de São Paulo só se juntam a estas por meio das televisões, dos jornais e das rádios, desconfio que o poderoso som que desafia as autoridades policiais, hoje mesmo, agora, enquanto escrevo estas palavras, não vai causar impressão alguma dentro destes muros. É pena. É triste. Há quem prefira viver COM-VI-O-LÊN-CIA-!… Porque uma coisa é certa, ontem visitei* alguém neste condomínio e posso garantir-vos que foi das experiências mais violentas por que passei desde que aqui cheguei… Eu estive por lá nem uns dez minutos. Nem imagino o que seja ali ficar por vários anos. Medo.

* Vistar é o termo. Ninguém entra numa penitenciária, pois não? Quem lá vive, foi lá posto; só quem visita, entra. Qual, então, o melhor termo para quando se pretende, de vontade própria, sem coação (e não me venham dizer que a “bandidagem” é a coação neste caso; acho que já estamos um pouco além disso) ir viver dentro de algo fortemente murado, televisionado, segurado? Ontem cadastrei-me neste condomínio? Ontem dei entrada neste condomínio? Ontem recenseei-me neste condomínio? Mais. O próprio segurança no portão mencionou que o motoboy me iria resgatar mais à frente para me levar ao meu destino. A Segurança (assim, com maiúscula), e a sua consequente insegurança, é todo um léxico, em certas zonas do Brasil. Livra!


§21 · June 17, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , ,