Ao fim de oito meses e algumas semanas chegou a vez de sonhar com os velhos e velhas de Campo de Ourique. Cambaleantes, aprumadas, cheias de laca, ou desleixados, porque semi-abandonados, todos eles à torreira do sol, implacável, como só ele sabe ser em certas artérias de Campo de Ourique. Mas também no fresco bom da Aloma. Apareceram-me todos de enfiada, lá pelas 4 da manhã, atrás do balcão, na calçada ou, especados, hesitantes, à porta de um qualquer prédio. Os velhos de Campo de Ourique ou estão a cambalear ou a entrar em um qualquer prédio.
São muitos anos. São muitos velhos. Não perguntam por mim. E eu não pergunto por eles. Encontramo-nos por aí, assim, deste modo, no silêncio da noite.
