Protestar contra a Copa é estúpido e estéril. Desculpem-me a franqueza, mas é. Protestar contra a Copa, contra o futebol, contra o escrete, não faz sentido nenhum… É óbvio que vai ter Copa. Mesmo que com protestos, tiros, mortes e o diabo-a-quatro. Com vitória ou derrota dos canarinhos. Com caos aéreo e baderna geral. Com festa e alegria. Ela vai acontecer, ponto final.

Protesto não é crime. Outro ponto final. Mas há que ser sensato, pragmático, inteligente, e escolher bem o objeto abjeto. Não adianta protestar contra o azul do céu.

Proteste-se com a FIFA, sim, contra a FIFA e o modo como ela insiste em sequestrar e violar os países onde monta o seu espetáculo de 4 em 4 anos. Que seja a Copa das copas nesse particular. Se os protestos se centrarem na FIFA, quem sabe ela seja obrigada a rever as suas posições e o seu modus operandi? Isso seria bem legal. O futebol está há demasiado tempo nas mãos de cartolas e bandidos (e serão personagens distintas?). O futebol está há demasiado tempo nas mãos de instituições como a FIFA. O futebol precisa de novos hábitos, de novas mentalidades. Nem de propósito, este mês saiu um textinho de Cruijff sobre precisamente como é preciso dar formação, educação, poder, aos atletas de modo a que sejam eles um dia a tomar em mãos a tarefa de gerir o mundo do desporto.

Proteste-se, exigindo ao Estado o tal padrão FIFA. Nas escolas, nos hospitais, nas prefeituras, nas penitenciárias, nas ruas…

Que se proteste com a mídia escrota. Porque sim, porque é sempre bom protestar contra a mídia escrota.

Que se continue a protestar com o M da PM. Exija-se também padrão FIFA nas forças policiais.

E que se proteste, vigorosamente, com todos aqueles (e não vão faltar!) que insistirem em ligar os dois eventos do ano (Copa e Eleições). Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.


E que ganhe a Holanda!







Movimentos de protesto como os atuais, sem liderança, sem programa, sem bandeira, são como o mar na praia, cheios de ondas, de vai e vem, de movimentos dentro do movimento, e todos lá cabem, e todos lá se banham. Tem sempre o primeiro dia. Tem sempre o momento em que a mídia, sem saber bem o que fazer, balanceia o discurso de um lado para o outro. Tem sempre o dia em que a Polícia carrega selvaticamente. Tem sempre o dia em que o político (já sem resposta imediata) descansa o aparato policial. Tem sempre o dia dos que se estreiam, que perdem a virgindade da rua. Tem sempre o dia em que todos pensam ter ganho algo. Tem sempre o dia do recuo (quando os políticos sentem medo; aqui foi o recuo nos 20 centavos). E tem sempre o dia de hoje. O dia dos extremistas. Dos nacionalistas. Hoje gritou-se não às bandeiras e aos partidos. Hoje circulam textos sobre infiltrados. Sobre conspirações de direita (que digo, de ultra-direita) para derrubar o Governo Dilma. O dia em que o fogo arde mais do que o devido e a Polícia descansa ainda. Até pode ser que este tenha sido um dia António das Mortes. Mas amanhã é outro dia. As ondas não param.


Eu prefiro referir-me a este dia como um dia histórico. Foi mais um dia de protesto, o primeiro imediato ao recuo nas tarifas. Foi o dia em que ficou claro que não era mesmo por 20 centavos. É o dia em que ninguém pode mais dizer que não percebe o que se quer. Como diz o coronel decrépito, a culpa de tudo isto é da bomba atómica. E a bomba atómica é o povo brasileiro. Salve.

§157 · June 20, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,


§136 · June 20, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , ,


folheto_anonimo


Folheto anônimo distribuído esta tarde entre os alunos de um colégio particular de classe média em Campinas.

§95 · June 19, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,




Obrigado Marcos Beccari. Obrigado 100.000 anónimos. Obrigado Brasil. Melhor, o Brasil agradece. Continuemos.