1 revolução
1 vida
1 avião
1 mala cheia de malas
1 hemisfério
1 continente
1 país
1 cidade
1 bairro
1 árvore entre mil
1 céu raiado de relâmpagos
1 cpf
1 cnpj
1 rne
1 cnh
1 picada, outra, e outra, e mais outra…
1 coceira danada
1 calor dos diabos
1 ou mais duchas por dia
1 regresso à casa
1 regresso a casa
1 violência danada
1 coração imenso
1 pulmão dos diabos
1 +1+1+1 nem sempre igual a 4
1 dia é assim, outro é assado
1 açaí na tijela aos domingos à tarde
1 pizza de alcachofra, tomate fresco e pimenta-rosa
1 Original fresquinha
1 charuto Dannemann
1 isopor para manter as brejas fresquinhas
1 galera de amigos (!!!)
1 vai-e-vem de bons e velhos amigos (coisa boa!)
1 jardim com grama, árvores, pássaros e flores magníficas
1 jogo de badminton ao cair do dia
1 (ou dois) gin tónico
1 colégio
1 universidade
1 programa de rádio
1 regresso à imprensa escrita
1 ano sem televisão
1 shopping entre tantos
1 carro 1.8 caixa automática (dez anos em cima, mais dez no horizonte)
1 estrada direta ao Rio de Janeiro
1 “família” sempre disposta receber-me, a mim e à minha marra
1 vizinho pouco recomendável
1 vizinho insuportável
1 carrada de livros por ler
1 facebook cada vez mais insuficiente
1 céu estrelado
1 Cruzeiro do Sul
1 conversa amena
1 sonho aqui e ali


Venha mais 1!

§599 · January 29, 2014 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , ,


Numa dada esquina campineira, bem no coração do Cambuí, o flaneur pode estampar-se no bar do Manoel, o Juema.
Isto é, se tiver sorte.


PANO_20131027_142459[1]

(Clicar na panorâmica, de modo a obter melhores resultados. Até uma garrafita Tanqueray o homem tem. Coisa mais linda. O galhardete do Glorioso também lá está, claro.)


§467 · October 27, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: , , , ,


«Desaparecer por uns tempos, para recuperar de tempos difíceis.»



Assim definiu uma querida amiga minha (após um sonho sobre a morte recente de um amigo comum) esse fenômeno chamado, precisamente, Morte. De notar também a definição de Vida, “tempos difíceis”. Preciosas definições. <3

§330 · August 24, 2013 · Uncategorized · (No comments) · Tags: ,


Há cinco meses atrás, a caminho de uma nova vida, de uma nova realidade, no avião, deixando para trás amigos e familiares, li na The Economist um artigo sobre um estudo acadêmico sobre escaravelhos. Sobre como os escaravelhos, para sobreviverem, precisam empurrar aquela bolinha de estrume variado para suas casas. E de como para terem êxito nessa tarefa precisam (1) de evitar os seus predadores e (2) de fazer o trajeto o mais recto possível, sem grandes desvios, sem grandes voltas desnecessárias. E de como, no final das contas, os escaravelhos optam pela noite para efetuar tal trajeto. Mas como se orientam os escaravelhos pela noite dentro?, perguntavam-se os cientistas sul-africanos (no caso). Pois parece que se orientam pela Via Láctea. Tal como se se tratasse (e trata) de um GPS. A 10 mil metros de altitude, a 900 e tal km por hora, fiquei sabendo que os escaravelhos se orientam pela Via Láctea para se safarem na vida. Que mais poderia eu fazer? As dores dos humanos podem bem ser consideradas ridículas quando comparadas com o engenho da vida. Nos cinco meses seguintes utilizei a Via Láctea para comunicar com meus amigos distantes. Sempre que uma “saudade” (aspas, porque desconfio do termo…) assomava, o céu estrelado me consolou. Sempre, sem descanso, eficaz, reconhecendo o escaravelho que há em mim.

Há uns dias atrás, a caminho de retomar a minha nova vida, a minha nova realidade, deixando para trás amigos e familiares, li na The Economist um artigo sobre um estudo acadêmico sobre pássaros. Sobre como alguns pássaros, “pombos” (aspas, porque desconfio do bicho…), andorinhas, esmerilhões, piscos, têm a capacidade de mudar de continente, passar do verão inglês para o inverno indiano, ou mesmo viver em perpétua luminosidade ao migrarem de pólo para pólo. De como tudo isso apenas é possível, porque os pássaros possuem uma bússola interna. A 10 mil metros de altitude, a 900 e tal km por hora, fiquei sabendo que os pássaros se orientam pelo Campo Magnético da Terra para se safarem na vida. Uns acham que eles o vêem, outros acham que eles o cheiram, outros ainda que eles o ouvem. Outros acrescentam a isto tudo essa fascinante dimensão que dá pelo nome de quântica… Seja qual for, seja como for, seja porque a trigeminal que lhes liga o bico ao cérebro lhes dá a capacidade de lidar com a latitude, seja porque existe um cluster N algures no cérebro, ou uma proteína retinal chamada cryptochrome, seja lá o que for, uma coisa é certa, as dores dos humanos podem bem ser consideradas ridículas quando comparadas com o engenho da vida. Nos tempos que se seguirão acrescentarei à observação da Via Láctea a perceção do Campo Magnético da Terra. Como o vou fazer, nem sei bem, nem interessa. Fazê-lo é coisa de escaravelhos e pássaros. Pensá-lo é coisa de humanos.