: Carlos Vieira Reis [graphic designer] ....................................................................................established in 2000
: Who?      
: Why?

«Some thoughts on life and work»

# 1 Above all be a good person. A conscious and sentient being. A good person will fatally be a good designer... (or a good plumber), while the opposite is not so clear. Acima de tudo, ser uma boa pessoa, um ser consciente.... e sensiente. Uma boa pessoa será fatalmente um bom designer (ou um bom canalizador), já o inverso não será.... tão certo.

# 2 In the dutch language one can find the terms Vormgeving/Vormgever as in the german language one can use the pair Gestaltung/Gestalter. As far as we, the Portuguese, are concerned, the english language gave (?) us the pair Design/Designer, terms for wich we do not have either equivalents nor a proper response. We really should call ourselves "Form Givers", or "Formalizers", just as the Germans and Dutch do, for the true aim and purpose of the "designer" is to give form to a certain content. Back in 1923 the Bauhaus Manifesto already noted that «the objective of all creative effort in the visual arts is to give form to space». So, we shouldn't fool ourselves by believing that we create space (content). Content is beyond us and we will only make it visible if we succeed in give it a proper form....Na língua neerlandesa encontramos a dupla Vormgeving/Vormgever e na língua alemã observamos a dupla Gestaltung/Gestalter. A língua inglesa impôs-nos a dupla Design/Designer, para a qual não temos nem equivalentes, nem resposta. Não somos "desenhadores" (numa leitura mais simplista) nem "traçamos desígnios" (numa leitura mais presunçosa). No fundo, não passamos de dadores de forma, de formalizadores. Dar forma a. Eis a função do "designer". Em 1923, o Manifesto da Bauhaus referia que «o objectivo de todo o esforço criativo nas artes visuais é o de dar forma ao espaço.» Não sejamos cegos ao ponto de acreditarmos que o que criamos é o espaço (leia-se conteúdo). Esse já lá está e só o veremos, e só o daremos a ver, se conseguirmos... dar-lhe forma.

# 3 Will I ever have the courage to write Formalizer under my name in a business card? Terei alguma vez a coragem necessária para escrever Formalizador por debaixo do meu nome, num cartão de visita?

# 4 The essential lies in content not in form. The work lies within us not in our processor's Mhz nor in our monitor's inches… O essencial está no conteúdo e não na forma. O trabalho está dentro de nós e não nos Mhz dos nossos processadores, nem nas polegadas dos nossos monitores…

# 5 Travel whenever possible. Viajar sempre que possível.

# 6 Author's rights? No, thanks. Life gives us an idea and we take advantage of it? Should a mom or a dad receive royalties due to the kids they create? My daughter owes me nothing. Direitos de autor? Não, obrigado. A vida dá-nos uma ideia e nós apropriamo-nos dela? Deverão um pai ou uma mãe receber royalties pelos filhos que concebem? A minha filha não me deve nada.

# 7 Bibliographic credits? Yeah, thanks. It's a matter of principle. Is there anything more annoying than to hold a book (and we could talk of other media) that shows no publication date or, for the case, no credit for the man [woman] who gave form to it? It's a matter of respect (for the reader, for the interested agent) and not of protection (of the creative agent). My daughter will always know who her father is. Referências bibliográficas? Sim, obrigado. É uma questão de princípio. Haverá algo mais desesperante que ter um livro (e quem fala de livro pode falar doutros suportes) do qual não se sabe a data de publicação ou, mesmo, o designer que lhe deu forma? É uma questão de respeito (pelo leitor, pelo agente interessado) e não de protecção (do agente interveniente). A minha filha saberá sempre quem é o seu pai.

# 8 I just talked on the phone with a very pleasant girl who wanted to offer (?) me a free stay for two people on Algarve, South of Spain or Canarias. Should I go because the Travel Agency gives me a free ride or should I go because I feel like it? Does my dentist calls me to know if I'm in need of her services? No. It is I that calls her whenever my teeth hurts. So why should we, designers, have to go on knocking on publishers/institutes/enter-prises doors in order to know if they need our services? And a Bible, do you need one too? Telefonou-me, agora mesmo, uma jovem muito simpática a oferecer-me (?) uma estada, para duas pessoas, no Algarve, no Sul de Espanha ou nas Canárias. Devo ir porque a Agência de Viagens me ofereceu uma viagem ou devo ir porque e quando me apetece? A minha dentista telefona-me para saber se preciso de destartarizar os dentes? Não. Sou eu que lhe telefono quando tal é preciso. Porque precisamos nós, designers, de andar a bater às portas das editoras, dos institutos, das empresas para saber se eles precisam dos nosso serviços. E uma Bíblia, já agora, precisam?

# 9 The printing house as an extension of the designer's office. To go beyond our drawing table limits and expand our action zone. The final work (and the designer as well) will only gain with the acceptance of the printer's role (or the budgeteer, or the bookbinder…) as an important part of the process. A casa impressora como extensão do atelier gráfico. Ir além dos limites do nosso estirador e ampliar a nossa área de acção. O trabalho final (e nós com ele) só tem a ganhar se aceitarmos o impressor (bem como o orçamentista, o encadernador…) como parte integrante do processo.

# 10 Sometime ago a student from an Oporto based Fine Arts University contacted me via e-mail. He then explai-ned that he had selected me (that is, my website and my work) as a subject for a class assignment (I don't recall anymore the topic). I cooperated in my best possibilities (gathering and sending him some works I've done that weren't in the website) and I asked him to keep me posted and to get me a copy of the resulting paper. I'm still expecting it... How should we deal with this kind of unprofessional professionals? And what should we think of this guy's teatcher? Being a designer is a lot more than picking colours in Photoshop or kerning words in InDesign! Did you ever heard of the good old common sense responsability!?!? Há uns tempos atrás um estudante das Belas Artes do Porto contactou-me através de e-mail. Explicou-me que me tinha escolhido (isto é, ao meu website e ao meu trabalho) como asusnto de um trabalho que tinha de fazer para uma cadeira (já não me lembro nem da cadeira, nem do tema, nem do ano em que andava). Colaborei da melhor maneira possível (reunindo e enviando pdfs dos meus trabalhos mais recentes) e pedi-lhe que me mantivesse informado e que assim que fosse possível que me fornecesse uma cópia do trabalho. Ainda hoje estou à espera... Como devemos lidar com estes profissio-nais tão pouco profissionais? E o que devemos pensar do professor deste aluno? Ser designer é algo mais do que escolher cores no Photoshop ou justificar parágrafos no InDesign! Já alguma vez ouviram falar na boa e simples noção de responsabilidade!?!?

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: Last update: December 2007